Sabe o que é uma tendinite?

Tendinite – o que é?

Um tendão é a estrutura densa mas flexível através da qual o músculo se insere no osso, permitindo o movimento das articulações.

 

Quando o músculo e o tendão são muito solicitados, por exemplo em tarefas repetitivas, origina-se um processo inflamatório do tendão e da sua bainha originando dores, que na fase inicial são associadas á execução da tarefa. Com a manutenção da actividade o quadro acentua-se e a dor passa a estar presente mesmo em repouso podendo inclusivamente perturbar o sono.

 

Uma tendinite é um processo inflamatório de um tendão.

 

As tendinites são das perturbações mais frequentes entre os desportistas profissionais, qualquer que seja a localização, como a coxa, o joelho, o tornozelo, o ombro ou o punho.

 

De um modo geral, as tendinites resultam de um processo de sobrecarga, mas a ocorrência de microtraumatismos de repetição ou um único traumatismo de maior intensidade podem desencadear o processo.

 

Factores de risco para as tendinites

A hipermusculação é um dos factores de risco mais comuns. Os tendões são estruturas sólidas, elásticas e resistentes. A sua resistência é genericamente igual à força inicial do músculo multiplicado por quatro; no entanto, quando se faz musculação, a força muscular pode aumentar duas ou três vezes, diminuindo desta forma a margem de segurança do tendão, dando como primeira resposta a sua inflamação e, se a situação prevalece, podendo ocorrer rotura.

 

Os focos infecciosos crónicos, como uma cárie activa ou uma amigdalite não curada corretamente são outro factor de risco. A corrente sanguínea, ao passar por um foco de infecção, recolhe e transporta as toxinas criadas e deposita-as em zona já inflamadas, facilitando a evolução para a cronicidade das tendinites.

 

Uma dieta rica em proteínas animais provoca um aumento de ácido úrico e purinas que nem sempre são completamente eliminados pela urina. O excedente pode depositar-se em zonas com sobrecargas, cristalizando e causando tendinites.

 

A maioria dos casos resulta de um excesso de uso prolongado com deterioração do tendão mas sem inflamação associada, razão pela qual alguns médicos preferem o termo “tendinopatia”. Esta distinção é importante porque a inflamação do tendão (tendinite) é tratada de um modo diferente da deterioração do tendão (tendinopatia). As tendinites, de um modo geral, respondem rapidamente ao tratamento com anti-inflamatórios enquanto as tendinopatias requerem um tratamento mais prolongado e orientado para a melhoria da força do tendão e para a reconstrução dos tecidos adjacentes.

 

As causas mais comuns das tendinites num atleta são os traumatismos agudos nos quais um tendão é forçado para lá da sua normal amplitude de movimentos, causando dor, inchaço e inflamação. Para as tendinopatias, a causa mais comum é um uso excessivo crónico com esforço e trauma repetidos sobre os tecidos moles sem intervalo de tempo suficiente para uma adequada cicatrização.

 

As lesões dos tendões são comuns nos desportistas que estão a iniciar a sua actividade e que exageram no esforço sem o descanso adequado. Como tal, é importante iniciar uma prática desportiva lentamente e aumentar a intensidade do treino gradualmente. O aquecimento é essencial e nunca deve ser descurado.

 

Outra causa possível é o uso de técnicas desportivas incorretas ou o uso do material de treino inadequado.

 

Sintomas da tendinite

Numa fase inicial o atleta apresenta dor localizada ao tendão envolvido, que se acentua nos movimentos contra resistência, ou seja, nas situações em que o músculo ou músculos em questão e os respectivos tendões são forçados. Quando examinado o atleta apresenta uma dor localizada e limitação dos movimentos.

 

As tendinites tendem a evoluir em quatro fases, em função das queixas apresentadas: na primeira fase, a dor surge após a actividade desportiva; na segunda, a dor aparece no início da prática desportiva, desaparece após o período de aquecimento e pode reaparecer com o cansaço; na terceira, a dor é constante, em repouso e no exercício; na quarta fase, ocorre rotura do tendão.

 

A palpação do tendão produz dor, ficando este mais espesso e perdendo-se a nitidez do seu contorno.

 

A falta de um tratamento eficaz determina a evolução das tendinites e conduz à cronicidade e posterior rotura do tendão.

 

Diagnóstico da tendinite

O diagnóstico das tendinites tem por base as queixas do atleta e as alterações encontradas no exame físico, os meios complementares de diagnóstico, como a radiografia simples e, sobretudo, a Ressonância Magnética. Este exame mudou radicalmente a avaliação dos doentes com lesões desportivas, sendo raras as situações em o médico, após uma avaliação inicial, possa dispensar, numa primeira fase e no decorrer da recuperação, as informações que a ressonância magnética oferece.

 

A ecografia permite estudar o trajecto do tendão e avaliar a acumulação de líquido, sinal indirecto de lesão tendinosa.

 

Tratamento da tendinite

O tratamento das tendinites é por regra não cirúrgico, focando-se na identificação do acto que desperta a lesão de modo a preveni-la, se possível, repouso, gelo e anti-inflamatórios. A fisioterapia desempenha um papel fundamental. A ausência da competição não é, por regra, prolongada, pelo que em breve será permitido aos atletas retomarem a sua actividade.

 

Quando ocorre uma lesão de um tendão, é importante interromper a actividade e descansar. O repouso, associado ao uso de gelo, manobras de compressão e elevação do membro afectado permitem uma redução da inflamação e da dor, permitindo a recuperação de uma tendinite em alguns dias ou semanas. As tendinopatias demoram entre 2 a 6 meses a recuperar. Se o atleta não interromper a actividade que causou o problema, a tendinopatia tenderá a tornar-se crónica.

 

Sempre que uma dor se arrastar por mais de alguns dias dias, apesar das medidas de tratamento referidas, é importante recorrer ao médico de modo a que se possa proceder à reabilitação do tendão afectado.

 

 

(*) Fontes

saudecuf.pt/desporto/lesão

·         American Academy of Orthopaedic Surgeons, 2013

·         Mayo Foundation for Medical Education and Research, Jan 2013

·         Marcio Cohen e col., Lateral Epicondylitis Of The Elbow, Rev Bras Ortop. 2012;47(4):414-20

·         U.S. National Library of Medicine, Julho 2013

·         MedicineNet, Inc., 2013

·         Rogério Teixeira da Silva, Lesões do membro superior no esporte, Rev Bras Ortop. 2010;45(2):122-31

·         Jeffrey R. Dugas e col., Elbow Injuries in Sports, Hospital Physician Board Review Manual, Vol. 1, Part 4, 2005: 1-12